Músico empreendedor

 modelo de negócio e econômico que carregou o negócio musical por anos não é mais relevante.

Grandes gravadoras costumavam investir pesado no desenvolvimento do artista, no marketing, e na distribuição, assumindo riscos e as consequências de suas ações, muitas vezes construindo o artista do zero, financiando aulas de técnica vocal ou guitarra, por exemplo.

Apenas um hit, um top-chart, justificava o investimento em dezenas de bandas e músicos. Mas hoje já não é mais esse o caso. Os selos e gravadoras simplesmente não têm dinheiro suficiente entrando de suas músicas gravadas para cobrir as despesas.

O negócio, o modelo mudou: hoje eles estão no negócio de caçar o próximo superstar que pode vender milhões e vender rápido.

Financiam programas de televisão, fazem bom uso de seus recursos e contatos, exploram o máximo de sua estrutura em acordos 360.

Como um moedor de carne, extraem tudo o que pode oferecer da forma mais rápida possível, pois a próxima temporada com seu novo superstar vem aí.

É claro que não se pode generalizar. Pessoalmente conheço artistas que fizeram ótimos acordos com gravadoras, editoras ou selos. Mas é preciso jogar duro.

Os artistas que cito estavam preparados, estruturados e conscientes do que era bom e do que não era bom ao assinarem seus contratos.

Independência ou Morte

 

Os artistas e compositores de sucesso do futuro vão começar e continuar independentes. Eles vão criar negócios que giram em torno deles mesmos para suprir suas ambições, personalidade e estilo. Eles vão se conectar diretamente com seus fãs e controlar seus próprios destinos.

Comece a pensar sobre sua carreira musical da mesma forma que empreendedores pensam sobre suas empresas startups.

Você é um empreendedor! Pense nisso: você fornece um produto (sua música) ou serviço (seu show) para os seus clientes (seus fãs, parceiros, empresários e marcas).

Seu produto ou serviço é completamente único e você o desenvolve o tempo todo. No passado, músicos eram produtos das gravadoras.

Hoje, você cria seu próprio produto. Você é o CEO da sua carreira musical.

Eu sei, você entrou na música porque justamente nunca quis ficar numa mesa de escritório ou numa escola de negócios.

Mas como mencionado anteriormente, você já tem uma mentalidade de empreendedor. Você só precisa saber como aproveitar isso.

  1. Produto

Então, como abordar sua carreira como um empreendedor? Tudo começa com uma ideia de produto – no caso, sua música.

Pense sobre o que exatamente você está fazendo e como isso é diferente de tudo aquilo que está sendo feito hoje.  Não pense somente na sua música – sua personalidade e imagem são aspectos igualmente importantes do seu produto também.

Qual o gênero que mais te identifica? Você é um compositor emotivo ou um performer heroico? O que você representa?

Lembre-se da embalagem dos produtos que você compra no mercado. Você está em uma pseudo-prateleira. Como você chama a atenção? O que o torna atraente? Como você fisga o seu cliente? Qual a mensagem por trás do seu produto? Como o seu produto cria laços com seus fãs-clientes?

Depois você precisa descobrir quem são seus clientes. Nesse caso, seus clientes são seus fãs. Com a internet, essa informação é muito fácil de ser encontrada.

Encontre quem são seus fãs com ferramentas como Google Analytics, Facebook, Twitter, ou qualquer canal de mídia social que você usa.

Você também pode usar o método antigo, perguntando aos seus fãs no pós-show. Quantos anos eles têm? Eles têm algum interesse em comum? Isso é a construção do seu avatar ou persona.

 

  1. Comece lea[1] e APRENDA

Muitos empreendedores travam na fase de planejamento do negócio. Eles pensam que precisam planejar cada passo de sua trajetória e que precisam prever sua receita daqui a 5 anos.

Se ainda não o fez, leia A Startup Enxuta do Eric Ries. É uma leitura fácil e os conceitos podem ser aplicados em qualquer indústria, inclusive música.

Como uma startup lean, você precisa levar seu produto para o mercado o mais rápido possível. Ele não precisa ser perfeito – simplesmente o faça aparecer.

Aí é onde o modelo de Músico360 começa a se destacar do passado. Não se trata mais de passar um ano inteiro (às vezes mais) e dezenas de milhares de reais (ou mais) num álbum completo. Comece pequeno e lance muitas vezes. Distribua seus grandes lançamentos em lançamentos menores.

Não estou dizendo que não é preciso um grande lançamento. Particularmente, acredito que para um grande legado, uma grande obra se faz necessária.

No momento em que escrevo esse artigo, preparo junto de meus companheiros de banda, nosso primeiro grande lançamento, que sim, já leva mais de um ano, e algumas dezenas de milhares de reais.

Mas esse é o nosso momento para isso. Já fizemos nossos lançamentos pequenos, testamos e verificamos o que funciona e o que não funciona para nós.

Estabelecemos um modelo de negócio e o tornamos sustentável. Desde a fundação da minha banda, não ficamos um ano se quer sem lançar novos produtos ou serviços.

E agora, acreditamos que seja o momento de começar nosso verdadeiro legado, com uma startup lapidada, pronta para alçar novos voos. Timing é tudo.

Se você não entende ou perde o timing, seu fracasso pode estar perto. Eu poderia escrever um livro inteiro sobre momentum, esse fenômeno físico, que na minha opinião é responsável pela maioria dos acontecimentos na humanidade.

Mas vou me ater a lembrar da primeira lei de Newton: Por inércia, um corpo em repouso, tende a permanecer em repouso. Um corpo que está se movendo tende a continuar em movimento.

Eu espero que entenda nas entrelinhas.

Mas existe n métodos a serem aplicados aqui. Você pode lançar EPs numa sequencia de 6 meses.

Você pode lançar o tradicional álbum cheio mas manter um canal no Youtube com vídeos de cover semanais. Você pode inclusive ir no menor denominador dessa equação, lançando um ou dois novos singles por mês.

Uma estratégia que pode funcionar nas redes sociais é o “Compartilhar para Lançar”.

Lance uma música para os seus fãs via mídias sociais e diga a eles que irão lançar outra assim que atingir determinado número de compartilhamentos ou likes naquele single.

Além do hype potencial causado em seus fãs, isso vai expandir seu alcance. Mas esteja atento em pensar em um número factível e atingível para seu atual nível da carreira.

Para ajudar, lembre-se que a média de engajamento no Facebook para páginas de música é de 1,5% a 2% do total de público da página em cada publicação. Obviamente sua missão é fazer com que esse engajamento aumente, mas tenha esses números em mente ao elaborar uma meta.

Esteja atento ao edge rank do Facebook e das outras mídias sociais. Neste livro não vou tratar em detalhes deste assunto, basta compreender os números que citei no início deste paragrafo e terá boas chances de sucesso.

A chave com lançamentos frequentes é aprender deles. Você pode ir fazendo ajustes finos na sua composição, performance, e marketing para lançamentos que virão.

Muitos artistas costumam tocar músicas em que estão trabalhando nos shows antes de elas serem lançadas. A reação do público pode ser um fator decisivo. Eu já fiz isso.

E em uma ocasião lancei mão de uma música e em outra situação, um rabisco improvável virou um dos meus principais investimentos. É mais do que fazer só aquilo o que “o povo quer” ou fazer somente aquilo que lhe agrada. É a sintonia das duas coisas. Você precisa desenvolver essa habilidade, onde a linha é tênue.

Você pode lançar gravações simples ou vídeos de “rascunhos” ou ideias de músicas e obter a opinião de seus fãs, ou lançar duas músicas pré-elaboradas simultaneamente e ver qual delas tem mais execuções.

A banda Apanhador Só fez bom uso desse recurso ao lançar o projeto de financiamento coletivo para o seu segundo disco.

 

  1. Monte seu time

Todo empreendedor tem seu time e esse também é um dos pontos fracos de músicos independentes.

Com o termo “DIY” (do it yourself) pendurado em suas cabeças por anos, não surpreende que a maioria desses músicos acredite que fazer tudo por conta seja a melhor opinião.

Em outra ponta da corda, alguns músicos acreditam que “equipe” significa um empresário e agente que custam uma bela quantia.

A maioria dos empreendedores não têm equipes formadas pelos tubarões do seu mercado. Mais do que se imagina, eles trabalham com um colega da faculdade ou membro da família que acreditam no seu produto ou causa.

Quando você está apenas começando, a paixão fala mais alto que a experiência (especialmente quando você tem pouco dinheiro). Pense em quem dos seus grupos de amigos e conhecidos toparia e estaria apto para ser seu empresário ou produtor executivo.

Você conhece alguém apaixonado por música ou por negócios? Você conhece algum amigo que manda bem em fotografia ou alguém com experiência em photoshop?

  1. Network

Se você já conheceu um empreendedor, provavelmente ficou sobrecarregado com sua energia e personalidade fora de série.

Nem todos os empreendedores são extrovertidos, mas eles são todos, sem nenhuma dúvida, apaixonados pelo que estão fazendo e ansiosos em falar sobre o que fazem e criar conexões.

Pegue dicas do empreendedor e não hesite em falar da sua música e sobre sua música. Não seja o tipo de banda que toca em um bar local e não fala com ninguém, nem antes, e nem depois do show.

Apresente-se às outras bandas que estão tocando, para o promoter e dono do bar, e também para os roadies e técnicos de som.

Mesmo que você seja tímido, saia de si mesmo por alguns minutos e tenha certeza de que está fazendo novos amigos e novos contatos.

Comece uma conversa sobre música. Quem sabe, você pode encontrar uma maneira de colaborar. Especialmente na indústria da música, seu sucesso vem de quem você se conecta. Friso: quer ir rápido, vai sozinho. Mas se quer ir longe, vai acompanhado.

Artigo publicado por Ivan Junior do http://gestaodebandas.com.br

Vocalista da banda Fauno. Músico, empreendedor serial, criador do método Músico360. Ivan fundou a Marfin Co., companhia dedicada a oferecer soluções na Economia Criativa e que possui a Gestão de Bandas como um de seus serviços.

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