A logística reversa pode fortalecer a imagem da sua empresa e ainda diminuir custos

Artigo Escrito Pela Fluxo Consultoria- Empresa Júnior de Engenharia da UFRJ.

Entenda o contexto:

Com consumismo acelerado e o crescente aumento da produção, cresceu a geração de lixo e seu tratamento inadequado está gerando prejuízos ambientais que podem comprometer a saúde e a qualidade de vida da população como transmissão de doenças, alagamentos, inundações, emissão de gases pela putrefação, contaminação de águas subterrâneas e superficiais, entre diversos outros. Nesse sentido, o governo instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), que definiu os princípios, objetivos e instrumentos, bem como diretrizes, relativas à gestão e ao gerenciamento de resíduos sólidos, incluídos os perigosos, em âmbito nacional. Na qual se destacam os termos de responsabilidade compartilhada e logística reserva.

Entenda o que é

Nos termos da PNRS, a responsabilidade compartilhada pelo ciclo de vida dos produtos é o “conjunto de atribuições individualizadas e encadeadas dos fabricantes, importadores, distribuidores e comerciantes, dos consumidores e dos titulares dos serviços públicos de limpeza urbana e de manejo dos resíduos sólidos, para minimizar o volume de resíduos sólidos e rejeitos gerados, bem como para reduzir os impactos causados à saúde humana e à qualidade ambiental decorrentes do ciclo de vida dos produtos, nos termos desta Lei.” Assim, a Lei exige que as empresas assumam a retornos dos produtos descartados e cuidem da adequada destinação, ao final de seu ciclo de vida útil.

A logística reversa é um dos instrumentos para aplicação da responsabilidade compartilhado pelo ciclo de vida dos produtos. A PNRS define a logística reversa como um “instrumento de desenvolvimento econômico e social caracterizado por um conjunto de ações, procedimentos e meios destinados a viabilizar a coleta e a gestão dos resíduos sólidos com reposição ao setor empresarial, para reaproveitamento, em seu ciclo ou em outros ciclos produtivos, ou outra destinação final ambientalmente adequada”. Portanto, a logística reversa é o controle do fluxo e informações logísticas referentes ao retorno dos produtos produzidos após sua venda.

A logística reversa trabalha com duas frentes: pós-venda e pós-consumo

Pós-venda trata dos produtos em uso ou com pouco uso, os quais por diferentes motivos retornam aos diferentes estágios das cadeias de distribuição direta. O objetivo do negócio desta área da logística é agregar valor a um produto que é devolvido por razões comerciais, erro no processamento dos pedidos, garantia dada pelo fabricante, defeitos ou falhas de funcionamento, avarias no transporte, etc. Enquanto o pós-consumo, como o próprio nome indica, cuida das atividades depois do descarte dos produtos que podem retornar ao ciclo produtivo, através canais reversos de pós consumo como de reciclagem, de reuso e de desmanche.

Principais produtos

O sistema de logística reversa deverá estar implantado afim de lidar com os principais produtos: pneus; pilhas e baterias; embalagens e resíduos de agrotóxicos; lâmpadas fluorescentes, de mercúrio e vapor de sódio; óleos lubrificantes automotivos; peças, equipamentos eletrônicos e de informática; e eletrodomésticos.

Exemplo de sucesso de logística reversa

A Apple aplica a logística reversa de uma maneira inovadora: os clientes podem levar iPhones antigos em lojas e após a análise de um funcionário especialista recebe o valor do aparelho em forma de crédito para comprar outro produto Apple. Dessa forma, ela faz a retirada dos iPhones antigos do mercado que podem prejudicar as vendas dos novos aparelhos; garante  o relacionamento com o cliente, de forma que ele continue comprando, pois o mesmo não recebe dinheiro e sim um crédito para comprar mais aparelhos na própria empresa e, além disso, a reciclagem dos metais nobres (ouro, cobre, prata, níquel, entre outros) presentes no equipamento gera um valor próximo a 50 milhões de dólares que supera os gastos com todo processo de reciclagem. No último ano, por exemplo, foram recuperadas cerca de 28 mil toneladas de antigos equipamentos.

Quer conhecer outras boas práticas da Apple em gestão de relacionamento? Conheça o Net Promoter Score e saiba como medir a satisfação de clientes

Tendências para o futuro:

Com o aumento da preocupação mundial com rejeitos e a sustentabilidade do planeta, a tendência para os próximos trinta anos é a ser criado para o sistema de resíduos sólidos um modelo parecido com o dos créditos de carbono que foram determinados no Mecanismo de Desenvolvimento Limpo pelo Protocolo de Quioto onde os governos calculam quanto de emissão de carbono precisam diminuir e repassam essa informação às indústrias do país, estabelecendo uma cota para cada uma.

Nesse modelo, essas empresas podem adotar medidas de eficiência energética para atingir suas metas ou ir ao mercado e comprar créditos de carbono (um crédito de carbono equivale a 1 tonelada de dióxido de carbono) que são negociados nas bolsas de valores a partir dos certificados de emissões reduzidas (CER). Daí a compensação: já que a empresa não vai conseguir reduzir suas emissões, ela compra esse “bônus” de terceiros.

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Conclusão

Portanto, quando estruturada como no exemplo da Apple, a logística reversa pode fortalecer a imagem da empresa não somente pelo viés ambiental mas pelo processo em si e diminuir custos, além de se adequar à legislação. Com a implantação da logística reversa, da conscientização para a educação ambiental e seus benefícios, podemos reduzir impactos causados por descartes residuais, melhorar a qualidade de vida dos cidadãos e obter um balanço ambiental positivo. Além disso, damos um passo rumo ao desenvolvimento sustentável do planeta, pois possibilita a reutilização e redução no consumo de matérias-primas.

Quer saber mais? Conheça a Legislação da Logística Reversa através do site do Ministério do Meio Ambiente e deixe as dúvidas nos comentários.

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